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25
JUL
2011

Emprego cresce rápido, menos na indústria

O mercado de trabalho continua vigoroso, constituindo uma fonte de sustentação do consumo e dificultando a tarefa do Banco Central (BC) de reduzir as pressões de demanda sobre a inflação. Contudo, o emprego ainda anda de lado na indústria.

Quem está puxando as contratações são os setores de serviços, comércio e construção civil, que foram impulsionados pela ampliação da massa de rendimentos, sem sofrerem concorrência de importados, ao contrário do setor industrial.

Até o mês de abril, os serviços responderam por mais da metade dos 3,295 milhões de postos de trabalho com carteira assinada que foram abertos em todo o Brasil depois do impacto da crise mundial, em outubro de 2008. Nesse período, a indústria abriu 376 mil vagas, contra 1,705 milhão de novos postos nos serviços, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho.

No comércio, onde os produtos importados podem representar preços menores ou lucros maiores, a oferta de emprego superou a indústria em 158%. O setor abriu 971 mil vagas, enquanto a construção civil garantiu outros 425 mil empregos formais.

Os especialistas dizem que a indústria tende a ficar ainda mais para trás na criação de empregos. Entre os segmentos do comércio que hoje mais oferecem vagas estão os supermercados. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, iniciou na semana passada seleção para preenchimento de mil vagas em diversas funções para lojas da rede só na capital paulista.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, os serviços e o comércio têm sido a plataforma segura do crescimento do emprego nos últimos anos, enquanto a indústria tem sido o fator volátil.

"Em anos bons, a indústria cresce muito e em anos ruins, cai bastante, como parece que será o caso agora", diz o economista. "Para 2011, esperamos novamente isso, a indústria crescendo muito pouco e contribuindo menos para a geração de emprego."

Fonte: Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo (http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,emprego-cresce-rapido-menos-na-industria,70090,0.htm)